Autômato

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O espetáculo combina as linguagens da música, do teatro, da pantomima, da dança e do circo, borrando fronteiras e deixando uma dúvida no ar: “Ele é um palhaço? Um músico? Tais convenções parecem escapar da cena… As duas definições parecem dizer parte do que a cena realmente foi. Então chamemos por hora de palhaçaria-musical de cara limpa.” (Eduardo Bruno –  Festival popular de teatro de Fortaleza/2017).

Encenado pelo multiartista Orlângelo Leal, interprete/criador e diretor artístico do grupo Dona Zefinha. O caráter inovador do trabalho está na transversalidade de linguagens e na execução de instrumentos exóticos como o marimbal, a flauta nasal e a “bota bum”, (sapato que produz frequências graves em contato com o piso; criação de Orlângelo) todos plugados num setup de pedais de efeitos, samplers e loops. Os instrumentos são tocados ao mesmo tempo, abrindo espaço para diversas experiências sonoras, tendo como elo de ligação o humor refinado, descontraído e despretensioso. Seguindo uma dramaturgia não linear, narra a saga de um criador multitarefas, compulsivo, esquizofrênico em momentos de delírio e devaneio, fragmentos de sua rotina habitual em pleno processo inventivo.

O projeto de montagem partiu de uma prática empírica movida pela intuição do artista, e vem ganhando carinho do público e destaque pela inovação, surpresa e a capacidade de emocionar através da sinergia, na incessante pesquisa do binário cena x som, ponto de inquietação e convergência que move este projeto.

O final do espetáculo é uma apoteose, o personagem executa ao mesmo tempo três instrumentos excêntricos, gravando no loop o tema de despedida e começa a jogar com o chapéu de manipulação para fazer o último número participativo, convocando um expectador para dividir a cena em plena comunhão interativa antes de sua partida triunfal deslizando pela cidade num skate.

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  • Interprete/criador: Orlângelo Leal
  • Figurinos: Joelia Braga
  • Duração: 50 minutos

 

Encenação

O projeto “Autômato – programado para divertir” do interprete criador Orlângelo Leal é uma obra de caráter universal e transversal, se materializa no mix das diferenças de linguagens e possibilidades intangíveis do misancene. Dialoga com pessoas de culturas distintas, públicos de perfis socioculturais diversos, é livre para todas as faixas etárias e pode ser encenado em todos os tipos de plataformas de exibição das artes vivas (palco, rua, sala, arena, circo, praças, anfiteatros).

O solo surgiu com o intuito de celebrar os 25 anos de carreira do ator, dramaturgo, diretor teatral, instrumentista e compositor, Orlângelo Leal que começou a se descobrir como artista ainda criança, brincando ao lado dos irmãos Paulo Orlando e Ângelo Márcio na cidade de Itapipoca. O amadurecimento como artista se deu no cotidiano com o grupo Dona Zefinha, onde exercitou a dramaturgia e roteiros para shows, compôs canções e temas instrumentais para os cinco discos da banda, além de atuar e dirigir todos os 15 espetáculos da companhia, percorrendo em grande parte do território nacional e fez turnês internacionais em 10 países, como Alemanha, Coréia do Sul, Hungria, Colômbia e Portugal.

A estreia foi em 2016 no Festival de Dança do Litoral Oeste em Itapipoca/Ce, e já foi apresentado no III Festival de Circo do Ceará, 15ª Feira da Música de Fortaleza, 24º Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga, IX Festival dos Inhamuns – circo , bonecos e artes de Rua em Tauá e no Centro de Estudos Teatrais na cidade de Rosário Argentina. Em 2017 o trabalho passou pelo Festival Vida e Arte, 25º Festival de teatro de Acopiara, Rede Cuca e no 8ª Festival de Teatro Popular de Fortaleza.

A obra Autômato segue a mesma linha dos espetáculos montados pelo grupo Dona Zefinha, primando pela qualidade, mostrando a força da inovação inventiva e poética, exibindo para o mundo, uma amostra do teatro brasileiro produzido em Itapipoca, trazendo um olhar humorado sobre o povo do Ceará, moleque e brincalhão, que habitando um território inóspito (semiárido) utiliza o riso como aplicativo para manutenção da esperança.

Autômato reflete ainda o homem contemporâneo (homo evolutis) e sua fusão maquinal entre o digital e o físico, entre automático e autonomia, escravidão e liberdade criadora, produtivo e improdutivo, trabalho e ócio, patrão e servo. “Os autônomos são autômatos programados para chicotear a si mesmos” segundo o filósofo Coreano Byung-Chul Han, que analisa o “ser multitarefa” como um “retrocesso a natureza humana selvagem”.  Com o avanço exponencial das tecnologias no nosso quotidiano, a vida tem se tornado cada vez mais sintética, acelerando a simbiose do transumanismo. O futuro aponta para um mundo, cada vez menos analógico,  onde os indivíduos que se auto exploram, sentem  angustia movida pela ansiedade consumidora  e vem tonando-se opressores de si mesmo, perdendo assim o senso da consciência de dominação. Fazemos o que queremos ou atendemos as demandas do que nos é imposto/ofertado?

Por essas e outras reflexões cognitivas/artísticas, o espetáculo Autômato faz-se necessário, pois trata de assuntos pertinentes ao presente/futuro, de forma que vem contribuindo com o processo de formação de plateias, cooperando com à dinâmica presencial do público, estimulando o enriquecimento cultural da população, à reflexão e à formação do pensamento.

AUTÔMATO – PROGRAMADO PARA DIVERTIR

FOTOS: JOÉLIA BRAGA

AUTÔMATO – MAPA DE PALCO

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Mapa de palco: orlangeloleal.files.wordpress.com/2016/05/0001.jpg